POSTER 17 – UM CASO RARO DE DOR TORÁCICA

Ana Vera Teixeira Marinho(1);Sofia Lázaro Mendes(1);Nadia Moreira(1);Rui Baptista(1);Sílvia Monteiro(1);Rui Martins(1);Maria João Vidigal Ferreira(1);Francisco Gonçalves(1);Mariano Pego(1)
(1) Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, EPE

Doente de 64 anos, género feminino. Recorreu ao Serviço de urgência por quadro de dor torácica com irradiação para o dorso. Ao exame objetivo, apresentava-se eupneica, normotensa, taquicardica (110bpm). ECG’s seriados com bradicardia sinusal, baixa voltagem dos QRS e com alterações inespecíficas da repolarização mas sem evolução dinâmica. Analiticamente: elevação dos d dímeros (3,4 N<0,6). AngioTC excluiu TEP mas levantou a suspeita de dissecção Aortica tipo B. Ecocardiograma no leito mostrou VE dimensões normais e com boa função sistólica global e sem alterações da cinética segmentar. Raiz da Aorta não dilatada e Aorta ascendente apenas discretamente dilatada (37-38mm); ausência de derrame pericárdico; estruturas valvulares sem alterações relevantes. Repetiu AngioTC aortoabdominal com protocolo de disseção que excluiu dilatação aneurismática Ao e traços de disseção, mas mostrou “embaínhamento” aórtico de etiologia não esclarecida (hematoma? fibrose?processo inflamatório?). Foi internada na Unidade de cuidados intensivos coronários para estabilização e continuação do estudo etiológico. Fez RMN que confirmou diagnóstico de Dissecção aórtica tipo B na classificação de Stanford. Durante o internamento além de manter as queixas que motivou a vinda à urgência, a doente apresentou uma elevação progressiva dos parâmetros inflamatórios apesar de apirexia sustentada e de não apresentar clinica de infecção. Face à dissociação clinico-imagiologica e perante a suspeita clinica de aortite realizou Ecocardiograma transesofágico que mostrou a presença de derrame ligeiro a envolver todo o coração e raiz dos grandes vasos. Aorta descendente com sinais de ligeiro derrame peri-arterial. Espessamento marcado da parede que é maior na região proximal e crossa distal, achados compatíveis com Aortite. Foi então pedida PET Aórtica que confirmou processo inflamatório difuso da aorta. Iniciou terapêutica com Prednisolona (1 mg/kg), com melhoria clinica e analítica significativa. Do estudo complementar etiológico: hemoculturas sem isolamento de agente infeccioso, serologia para treponema pallidum negativa, estudo de autoimunidade até à data negativo. A doente teve alta com esquema de desmame orientada para consulta externa para reavaliação clinica e prosseguimento do estudo etiológico.

CONCLUSÃO:
Os processos inflamatórios que envolvem a aorta são uma entidade relativamente rara e de etiologia variada desde causas infeciosas em que a rápida instituição de antibioterapia é crucial até doenças auto-imunes e vasculites cujo tratamento envolve potentes imunossupressores/ imunomodeladores. Os autores apresentam um caso em que a marcha diagnóstica foi desafiante, e só a integração da clinica com os achados de vários exames auxiliares de diagnostico que se complementam entre si permitiram o diagnostico correcto e o tratamento adequado.

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