POSTER 12 – FIBRILHAÇÃO AURICULAR E HIPOCOAGULAÇÃO ORAL: EXPERIÊNCIA DE MUNDO REAL NUM HOSPITAL PERIFÉRICO

António Fontes(1);Sara Ferreira(1);Cátia Serena(1);Carla Almeida(1);Carina Machado(1);Raquel Dourado(1);Emília Santos(1);Nuno Pelicano(1);António Miguel Pacheco(1);Anabela Tavares(1);Fernando Melo(1);Dinis Martins(1)
(1) Hospital do Divino Espirito Santo de Ponta Delgada

INTRODUÇÃO:
O número crescente de doentes com indicação para anticoagulação oral (ACO) no contexto de fibrilhação auricular (FA) e flutter auricular (FL) e a introdução nos últimos anos dos anticoagulantes orais diretos (NOAC) tornam premente rever na nossa prática clínica os resultados em termos de eficácia e a segurança da instituição desta terapêutica.

OBJETIVOS:
Analisar a eficácia e a segurança da instituição de ACO em doentes com diagnóstico de FA ou FL com score CHA2DS2-VASc2.

MÉTODOS:
Estudo de centro único, prospetivo e observacional de todos os doentes internados no Serviço de Cardiologia de um hospital periférico com os diagnósticos de FA ou FL com resposta ventricular rápida (RVR), insuficiência cardíaca descompensada por FA ou FL com RVR e FA para cardioversão elétrica eletiva, no período de janeiro a dezembro de 2014. O período de follow-up decorreu até novembro de 2015. Efetuada análise do subgrupo de doentes com CHA2DS2-VASc2. Foram definidos como endpoints de eficácia a mortalidade global e a ocorrência de eventos tromboembólicos (acidente vascular cerebral isquémico, embolia periférica e tromboembolismo pulmonar). Os endpoints de segurança foram a ocorrência de hemorragia total e hemorragia major (de acordo com a definição Thrombolysis in Myocardial Infarction).

RESULTADOS:
Do total de 126 doentes analisados, 54% eram do sexo masculino e a idade mediana foi de 68±12,4 anos. Destes, 93,7% tinham diagnóstico de FA e 6,3% de FL, sendo que 9,5% eram valvulares e 57,9% estavam anticoagulados à admissão hospitalar. A mediana dos scores CHDA2DS2-VASc e HASBLED era de 3±1,9 e 2±1,2, respetivamente. Tiveram alta sob ACO 80,2% doentes, 48,5% com NOAC. Dos doentes não anticoagulados à data de alta (N=25), 36% tinham CHA2DS2-VASc1. Do subgrupo de doentes com CHA2DS2-VASc2 (N=109), 53,8% eram do sexo masculino e a idade mediana era de 69,4±11,7 anos. Destes, 96,2% tinham diagnóstico de FA, 3,8% de FL e 9,4% eram valvulares. A mediana dos sores CHDA2DS2-VASc e HASBLED foi de 4,12±1,6 e 1,9±1,2, respectivamente. 84,9% tiveram alta sob ACO, 46,7% com NOAC. Quando comparados com os doentes não anticoagulados à data de alta, os doentes sob ACO eram mais novos (69 ±11 vs 74±13, p=0.048) e apresentavam CHA2DS2-VASc superior (5±1 vs 4±2, p=0.025). A mortalidade global (31,3% vs 11,1%, p=0.049) e a ocorrência de eventos tromboembólicos (25% vs 6,7%, p=0.0042) foi maior nos doentes não anticoagulados. Não foram encontradas diferenças na ocorrência de complicações hemorrágicas totais (12,5% vs 5,6%, p=0,285) ou major (6,3% vs 11,1%, p=0,28).

CONCLUSÃO:
Nesta população, a instituição de ACO em doentes com diagnóstico de FA ou FL e CHA2DS2-VASc2 está associada a uma menor mortalidade global, menos complicações tromboembólicas e não se verificou aumento do risco de complicações hemorrágicas totais ou major.

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