POSTER 11 – FUNÇÃO VENTRICULAR DIREITA EM DOENTES COM ESTENOSE AÓRTICA – A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO DE AVALIAÇÃO

Cátia Costa(1);Maria João Vieira(1);Nuno Craveiro(1);Maria Luz Pitta(1);Beatriz Santos(1);Kevin Domingues(1);Margarida Leal(1)
(1) Hospital de Santarém

INTRODUÇÃO:
A importância da função ventricular direita (VD) tem cada vez mais sido reconhecida como um factor de prognóstico em doentes com estenose aórtica (EA). Esta pode ser avaliada por dois parâmetros ecocardiográficos, a excursão sistólica do anel tricuspídeo (TAPSE) e a velocidade do anel tricuspídeo lateral por doppler tecidular (TDItric). Outros parâmetros ecocardiográficos, como o strain longitudinal do segmento basal da parede livre do VD (SLVD), por técnica de Speckle Tracking, têm sido investigados, contudo, ainda não foram validados.

OBJETIVOS:
1) Caracterizar uma população com EA, no que respeita às suas características clínicas e ecocardiográficas, incluindo a avaliação da função do VD através de parâmetros standard como a TAPSE e o TDItric, e de um novo parâmetro, o SLVD.
2) Avaliar a correlação entre os três parâmetros da função do VD.
3) Avaliar qual dos parâmetros mais se associa com o número de internamentos de causa cardiovascular (IntCV) ou ocorrência de morte de qualquer causa (MOR).

MATERIAL E MÉTODOS:
Estudo retrospetivo, que incluiu 100 doentes com EA. Foi efetuada a caracterização demográfica, clínica e ecocardiográfica da população. Esta última incluiu a avaliação de três parâmetros de função do VD – TAPSE, TDItric e SLVD. Procedeu-se à avaliação da correlação entre os parâmetros através do coeficiente de Pearson. Foram constituídos dois grupos de doentes em função da disfunção do VD, definida por uma TAPSE <16 mm: grupo A, com disfunção (n=18); e grupo B, sem disfunção (n=82). Foi encontrado um valor de SLVD traduzindo a ocorrência de disfunção do VD. Procedeu-se à avaliação da correlação entre os três parâmetros de função de VD com o IntCV e MOR.

RESULTADOS:
Verificou-se um predomínio do género feminino (61%), com uma média de idades de 77 ± 8.4 (anos). A fração do ejeção VE foi de 54 ± 10.7 (%). No que respeita à função do VD: a TAPSE foi de 18.9 ± 3.6 (mm); o TDItric foi de 11 ± 2.6 cm/seg; o SLVD foi de -26.9 ± 8.3 (%). Os três parâmetros apresentaram correlação entre si (p<0.05). Quando constituídos os grupos segundo a presença de disfunção do VD, verificou-se que um SLVD de -22.5% traduzia a sua ocorrência (AUC 0.82; 95% CI 0.71-0.93, p<0.001). A TAPSE foi o único parâmetro que se correlacionou com a ocorrência de MOR (Log rank test p0.026). O SLVD foi o que mais se correlacionou com o IntCV (coeficiente Pearson 0.264; p0.014).

CONCLUSÃO:
Nesta população de doentes com estenose aórtica, todos os três parâmetros de avaliação da função do VD se correlacionaram entre si. Apenas a TAPSE apresentou associação com a ocorrência de morte. Novos parâmetros como o SLVD, correlacionaram-se com o número de internamento de causa cardiovascular, contudo, necessitam de mais estudos para serem validados e rotineiramente incluídos na prática clínica diária.

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