P21- A HIPOCOAGULAÇÃO NA FIBRILHAÇÃO AURICULAR: MENOS EVENTOS, MENOS GRAVES? – UMA ANÁLISE ESTATÍSTICA
Fernando Montenegro Sá; F. Henriques; C. Ruivo; F. Mota Tavares
C.H.Leiria
INTRODUÇÃO:
As doenças cerebrovasculares são a principal causa de morte em Portugal e uma das principais causas de morbilidade e incapacidade permanente. A hipocoagulação do indivíduo com fibrilhação auricular (FA) é comprovadamente eficaz na prevenção de acidentes vasculares cerebrais isquémicos (AVC isquémico). No entanto, essa prevenção é imperfeita, verificando-se a ocorrência de casos de AVC isquémico em doentes sob terapêutica hipocoagulante.
OBJETIVOS:
Pretendemos relacionar a presença ou ausência de hipocoagulação oral prévia com a gravidade do AVC avaliada pela mortalidade, escala Rankin modificada e escala NIHSS à data da alta.
MATERIAL E MÉTODOS:
Propomo-nos a realizar uma análise estatística de todos os casos internados durante os anos de 2013 e 2014 na unidade de AVC do Serviço de Medicina 2 do Hospital de Santo André, Leiria, com AVC isquémico de causa cardioembólica e FA identificada previamente ou durante o estudo etiopatogénico. Utilizámos o programa IBM-SPSS Statistics para estudo estatístico através do teste T de Student para amostras independentes. Foram classificados como AVC grave todos os doentes com escala NIHSS à data de alta maior que 15 e doentes falecidos por AVC como causa direta. Para avaliação da incapacidade dos indivíduos após o AVC, foi calculada a diferença entre a pontuação da escala de Rankin anterior ao evento e à data da alta.
RESULTADOS:
Foram incluídos 63 casos, dos quais 20.6% se encontravam sob tratamento hipocoagulante. Verificou-se com significância estatística que esse grupo apresentava menor agravamento da escala de Rankin modificada [+1.3 vs +2.4, t(61)=3.256, p=0.02]. Verificou-se ainda que esse grupo apresentava menor mortalidade (15% vs 22%), menor média da escala NIHSS na alta (9.8 vs 17,4) e menor percentagem de AVC’s graves (15% vs 44%).
CONCLUSÃO:
A hipocoagulação do doente com FA não só reduz a incidência de AVC isquémico futuro como parece resultar num melhor prognóstico, com menor perda de autonomia nos casos que desenvolvem essa patologia mesmo sob tratamento.